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Carta para o Grupo Internacionalista

Os stalinistas e a contrarrevolução

  

  

[Tradução realizada pelo Reagrupamento Revolucionário em agosto de 2013, a partir da versão original em inglês postada pela então revolucionária Tendência Bolchevique Internacional (TBI) em http://www.bolshevik.org/Leaflets/IBT_I4I_GDR.html.]

  

Tendência Bolchevique Internacional

Nova York

  

9 de setembro de 2004

  

Grupo Internacionalista

Nova York

  

Camaradas:

  

No artigo de vocês (“Post-Soviet SL/ICL: New Zigzags on the Centrist Road”, publicado em Internationalist No. 19), vocês falsamente caracterizam a nossa posição sobre o papel dos stalinistas na destruição do bloco soviético:

  

“Nesses últimos oito anos, desde janeiro de 1996 para ser exato, a versão oficial da Liga Espartaquista e da sua Liga Comunista Internacional tem sido a de que os stalinistas ‘lideraram a contrarrevolução’ na Alemanha Oriental (a RDA).”

...

“A SL/LCI de fato adotou a linha de que ‘o stalinismo é contrarrevolucionário de cabo a rabo’ contra a qual ela havia lutado com unhas e dentes no passado. Essa era a lógica da estalinofóbica ‘Tendência Bolchevique’, que sustentava que o ‘perigo principal’ na Alemanha Oriental era o regime do SED [o partido stalinista], blindando dessa forma a verdadeira ameaça contrarrevolucionária da burguesia da Alemanha Ocidental e os seus capangas socialdemocratas, e com essa base acusava a SL/LCI de ter uma ‘tendência estalinofílica’.”

  

Ao contrário da SL, nós nunca afirmamos que os stalinistas lideraram a contrarrevolução na RDA e nem em nenhum outro lugar. Essa posição foi apenas o outro lado da moeda da adaptação prévia da LCI à burocracia stalinista:

  

“Nesse período [no inverno europeu de 1989-90] a LCI não se preocupou em combater [o Primeiro Ministro da RDA] Modrow como um traidor que os trabalhadores deveriam derrubar em defesa da RDA. Ao invés disso, eles o criticaram apenas de passagem...”

― “Robertsonites in Wonderland”, 1917 No. 10, 1991

  

Esse foi um erro crítico:

  

“A direita ganhou espaço enquanto a confusão prevalecia entre os trabalhadores mais conscientes que confiavam nos stalinistas ‘honestos, regenerados’. Era por isso que o regime de Modrow era especialmente perigoso, e o motivo pelo qual era imperativo alertar os trabalhadores contra ele.”

― Idem.

  

O curso oportunista atingiu seu auge com a ridícula tentativa de James Robertson [dirigente principal da Liga Espartaquista] de organizar reuniões privadas com o general soviético B. V. Snetkov, o espião-chefe da RDA Markus Wolf e o líder partidário do SED/PDS Gregor Gysi. Essa iniciativa foi tão grotescamente oportunista que nem o IG e nem a SL ousam defendê-la hoje em dia.

  

Nós lidamos com a sua objeção ao nosso foco em criticar os stalinistas em uma carta para vocês de dezembro de 1996:

  

“A acusação de que nós dirigimos a maioria de nossas críticas contra o SED/PDS, ao invés de dirigi-las contra o abertamente restauracionista SPD [Partido Socialdemocrata Alemão] e os partidos burgueses lembra as reclamações dos centristas contra Trotsky, por ele concentrar os seus ataques políticos na Frente Popular e, particularmente, no componente da ‘extrema esquerda’, o POUM, durante a Guerra Civil espanhola. Afinal de contas, Franco não era o ‘inimigo principal’? As mesmas críticas foram feitas a Lenin em 1917, quando os Bolcheviques dirigiram a maioria de suas polêmicas à falsa esquerda, ao invés de aos czaristas, às Centúrias Negras e outros contrarrevolucionários. Isto é, naturalmente, um ABC para os trotskistas, mas a conversa de ‘inimigo principal’ na RDA talvez exija reiterá-lo.”

― “Carta para o IG e a LQB”, reimpresso no Trotskyist Bulletin No.6, “Polêmicas com o IG”

  

Nós também lembramos a vocês da observação paralela de Trotsky no seu artigo de 1940, “Stalin após a Experiência Finlandesa”:

  

“Considero a fonte principal de perigo para a URSS, no presente período internacional, ser Stalin e a oligarquia encabeçada por ele. Uma luta aberta contra eles, às vistas da opinião pública mundial, para mim está inseparavelmente ligada à defesa da URSS.”

  

Vocês afirmam que a lógica da nossa posição é de que “o stalinismo é contrarrevolucionário de cabo a rabo”, mas vocês não podem citar nenhuma prova disso, porque não existe nenhuma. Em nossa carta de 1996, nós observamos que, ao contrário da SL, “Norden/Stamberg estão certos sobre o fato de que a burocracia stalinista não é capaz de dirigir a contrarrevolução ‘sem se fragmentar’.” Nós apontamos isso repetidamente durante o período decisivo. Por exemplo, em uma polêmica de 1990 contra a organização de Tony Cliff, defensora da tese do capitalismo de Estado, nós escrevemos:

  

  

“Os stalinistas não se comportam como uma classe dominante porque eles não são uma classe dominante. O principal inimigo dos trabalhadores no Leste Europeu hoje não são as várias burocracias nacionais, que estão em avançado estado de decomposição, mas os capitalistas dos Estados Unidos e da Alemanha Ocidental, que buscam reintegrar essas economias ao mercado mundial imperialista.”

...

“O mergulho rumo à restauração do capitalismo só pode desintegrar ainda mais qualquer poder social que o aparato stalinista ainda possua. Se os países do bloco soviético reintroduzirem o capitalismo, quando isso acontecer as burocracias stalinistas serão desmanteladas. O grosso da nomenkletura está bastante ciente de que sua substituição pelo mercado capitalista como regulador da atividade econômica vai implicar a perda de ambos os privilégios materiais e o status social.”

― “A Agonia de Morte do Stalinismo”, 1917 No. 8, 1990

  

Nós apontamos o mesmo ao combater a estalinofobia do [grupo britânico] Workers Power:

  

“A declaração de novembro de 1989 da LRCI [o grupo internacional do Workers Power] sobre a RDA, intitulado ‘A Revolução Política na Alemanha Oriental’, exigia: ‘Abaixo os planos stalinistas e imperialistas para restaurar o capitalismo!’. O problema com esse slogan é que ele falha em distinguir entre a traição dos burocratas stalinistas, que capitularam à restauração capitalista, e os imperialistas que a realizaram. No seu balanço de julho de 1990 sobre a queda da RDA, Workers Power declarou que o ‘inimigo principal da classe trabalhadora dentro da RDA’ não eram as forças germinantes de um renovado capitalismo pangermânico, mas o rapidamente decrépito ‘aparato de Estado burocrático’ (Trotskyist International No. 5, outono de 1990).”

...

“A LRCI compartilha da responsabilidade por essa catástrofe [na RDA]. Ao invés de tentar atrair os elementos com maior consciência de classe dos trabalhadores para resistir à demolição do Estado operário, esses supostos marxistas fizeram tudo que podiam para convencer os trabalhadores de que a destruição do Estado operário deformado alemão foi uma ‘vitória histórica’.”

― “Doubletalk in the 2.5 Camp”, 1917 No. 10, 1991

  

O IG não vai chegar a lugar nenhum insistindo em atacar seus oponentes políticos por posições que eles não defendem. Os revolucionários não brincam com a verdade. Como Trotsky observou, uma organização revolucionária viável só poder ser construída sendo “verdadeira nas pequenas coisas, assim como nas grandes”.

  

Saudações bolcheviques,

Samuel T. [Trachtenberg]